Esporotricose: a culpa não é do Gato

Nas últimas semanas têm se falado muito a respeito da Esporotricose e como os gatinhos são contaminados em maiores proporções. No texto a seguir trazemos estudos e a opinião de especialistas sobre a doença, e esclarecemos que o gato é apenas uma VÍTIMA, assim como nós.

O que é?

A esporotricose é uma micose causada pelo fungo Sporothrix schenckii e, no Brasil, também pela espécie Sporothrix brasiliensis. Ela pode afetar animais e humanos.

Geralmente a doença se manifesta com lesões sob a pele, o tecido subcutâneo e os vasos linfáticos, mas pode contagiar também órgãos internos. Se enquadra no grupo das micoses profundas. Pode ser encontrada em todo o mundo, mas é frequente em países de clima quente. O fungo que causa a esporotricose se prolifera na natureza, no solo, vegetais e na madeira.

 

Como é transmitida?

A esporotricose pode ser transmitida através de machucados causados por materiais contaminados com o fungo, como espinhosos, farpas e tábuas úmidas. Não há registros de transmissão de uma pessoa para outra.

Os animais podem contrair a doença por meio do solo e transmiti-la através de mordidas, arranhões, ou do contato direto com as lesões.

Há também a transmissão pela inalação do fungo. Mas são casos muito raros, geralmente em pessoas imunodepressivas.

 

Como identificar a doença em humanos?

A doença geralmente se manifesta nos braços, pernas ou rosto. Começa com um carocinho avermelhado, podendo evoluir para uma ferida. O fungo pode ficar incubado no organismo de 7 a 30 dias e chegar até a 6 meses após a infecção.

Pode ser confundida com outras doenças de pele, caso perceba algo diferente procure um dermatologista.

 

Como identificar a doença nos animais?

De acordo com a Médica Veterinária especializada em felinos, Beatriz Mattes,  os gatos são mais afetados pela doença pelo hábito de escavar a terra para enterrar suas necessidades, mantendo assim contato constante com o solo.

A doença se manifesta de formas variadas. A forma mais frequente são lesões profundas e geralmente com pus, e que podem progredir rapidamente. A Dermatologista Dra. Marcela da Costa Pereira Cestari completa: “Os gatos não apresentam um dos tipos de reposta imunológica contra o fungo, necessário em seu combate, desta maneira, o fungo se prolifera livremente em seu organismo, sem barreiras”.

 

A doença pode evoluir, quais os sintomas?

Geralmente a infecção causada pelo fungo é benigna e manifesta somente na pele, mas em alguns casos pode se espalhar e atingir órgãos internos, isto vai depender da imunidade do hospedeiro.

 

Há vacinas? Como evitar o contágio?

Não há vacinas contra a doença. Mas pode ser evitada de várias formas.A principal forma de prevenção é uma boa higiene do ambiente e não manusear animais com lesões suspeitas sem luvas de proteção, e mesmo assim sempre lavar bem as mãos.” Afirma a Médica Veterinária Beatriz Mattes.

Em casos de morte de algum animal, ele NÃO pode ser enterrado, MAS SIM cremado, para evitar a contaminação do solo. Geralmente as clínicas veterinárias dispõem destes serviços.

 

Tem cura? Qual é o tratamento?

A esporotricose TEM CURA. “O tratamento é feito com antifúngicos sistêmicos (via oral), por tempo prolongado, podendo durar meses, tanto nos humanos quanto nos animais. É importante sempre consultar o médico e o veterinário e nunca se automedicar” Indica a Dermatologista Dra. Marcela da Costa Pereira Cestari.

Em alguns casos mais graves o tratamento é mais longo, podendo durar de 6 meses há 1 ano.

 

IMPORTANTE

O diagnóstico de esporotricose já é feito em muitas clínicas veterinárias. Jamais abandone, maltrate ou sacrifique um animal com a suspeita da doença. A Médica Veterinária Beatriz Mattes reforça: “Vale ressaltar que a transmissão é pelo fungo, o gato é tão vítima quanto nós! E somente o gato com a doença pode transmitir, por arranhões, ou pelo contato com as lesões”.

Caso encontre algum animal abandonado e desconfie que ele possa estar contaminado, peça ajuda e ofereça tratamento, além de salvar a vida dele você também estará ajudando no controle da doença e evitando que ela se espalhe entre outros gatinhos.

 

Agradecemos a disponibilidade e atenção das Especialistas  Médica Veterinária especializada em felinos, Beatriz Mattes e a Dermatologista Dra. Marcela da Costa Pereira Cestari.

Beatriz Mattes - Médica Veterinária especializada em felinos - CRMV-SP 19.478  - Hospital Veterinário Quatro Patas  - Atendimento em domicilio (11) 98612-6701

Dra. Marcela da Costa Pereira Cestari Dermatologista - CRM-SP 162572

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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